Origem da Variedade
A variedade Azul Trigo nasceu de uma decisão simples e precisa: cruzar uma galinha Azul com galinhas da variedade Trigo. Mike Gilbert, criador dos bantams Trigo Ameraucana no final da década de 1970, realizou esse cruzamento em Iowa e, a partir dos descendentes portadores de uma cópia do gene Azul (Bl), selecionou e recruzou com Trigos por vários anos até estabilizar minimamente a expressão da cor. A variedade Azul Trigo, portanto, não é uma nova criação autônoma — é a variedade Trigo com a adição de um único gene dominante que converte o eumelanin preto em azul.
Galo Ameraucana Azul Trigo — peito azul e hackle dourado · Foto: Ameraucana Alliance
Wayne Meredith, de Mukwonago (Wisconsin), foi o responsável por desenvolver os exemplares de grande porte. Ele adquiriu bantams Trigo e Azul Trigo de Gilbert e os cruzou com suas próprias aves de ovos coloridos de grande porte, chocando centenas e depois milhares de pintos para selecionar gradualmente o tamanho e o tipo corretos. Tanto a variedade Trigo quanto a Azul Trigo foram reconhecidas pela American Bantam Association (ABA) em 1983 e pela American Poultry Association (APA) em 1984, junto com as demais seis variedades originais.
Padrão de Plumagem — Galo
O galo Azul Trigo apresenta uma combinação elegante entre a tonalidade dourada do padrão Trigo e o azul que substitui todas as áreas de eumelanin preto. A cabeça e o pescoço (hackle) devem ser de trigo claro a dourado, sem qualquer mancha, listra ou cintilação azul ou preta — essa é uma das principais exigências e, ao mesmo tempo, um dos maiores desafios da variedade. O dorso e os lombos (saddle) seguem o mesmo padrão trigo/dourado do macho Trigo convencional.
O peito é azul, com bordas escuras ao redor do perímetro de cada pena — característica marcante e identitária do galo Azul Trigo. Importa notar que essas bordas não constituem uma amarração (lacing) clássica; os genes necessários para produzir lacing verdadeiro removeriam a pigmentação azul do peito, descaracterizando a variedade. As coberturas das asas devem ser azuis, e as penas secundárias apresentam, ao repouso, uma barra azul visível na asa. A cauda — incluindo as penas falciformes (foices) — é azul, substituindo o preto que caracteriza o macho Trigo. Uma dificuldade frequente é a ocorrência de manchas laranja ou cor-de-ferrugem no peito, pois o azul não inibe a feomelanina tão eficientemente quanto o preto faz na variedade Trigo.
Padrão de Plumagem — Galinha
Galinha Ameraucana Azul Trigo — corpo trigo cremoso claro · Foto: Ameraucana Alliance
A galinha Azul Trigo tem como cor-alvo o trigo cremoso — exatamente o mesmo objetivo da galinha Trigo, porém ligeiramente mais claro. Isso ocorre porque o gene Azul (Bl) não apenas dilui o eumelanin preto para azul, mas também clareia a feomelanina nas costas e no corpo das fêmeas em um ou dois tons. Esse efeito é, na prática, uma vantagem estética: a fêmea Azul Trigo tende a apresentar um creme mais refinado e uniforme do que sua companheira de ninhada Trigo.
A cauda da galinha merece atenção especial: as penas principais devem ser contornadas com trigo, sem que sejam inteiramente azuis nem inteiramente pretas. As asas frequentemente apresentam pigmentação eumelanina insuficiente — problema comum tanto no Trigo quanto no Azul Trigo. O pescoço deve estar livre de listras ou manchas de qualquer cor. Tanto nas galinhas quanto nos galos, a presença de listras azuis ou pretas no pescoço é o defeito mais recorrente na variedade e o principal ponto de seleção para criadores sérios.
O ideal a buscar: um galo de pescoço e dorso trigo-dourado limpo, com peito azul de bordas bem definidas e cauda azul uniforme. Uma galinha de corpo creme-claro, pescoço sem listras e cauda com cada pena delineada em trigo.
Genética — O Gene Azul (Bl)
O Azul Trigo compartilha o mesmo alelo no locus-E que o Trigo: o alelo eWh (wheaten), que determina a distribuição da feomelanina (cor dourada/creme) e do eumelanin (cor preta) pela plumagem. A única diferença genética entre as duas variedades é a presença de uma cópia do gene Azul (Bl), um gene dominante incompleto que dilui o eumelanin preto para azul.
Como o Azul (Bl) é um gene de dominância incompleta, a variedade Azul Trigo é sempre heterozigota (Bl/bl+) nos exemplares de fenótipo azul correto. Aves homozigotas para Bl (Bl/Bl) expressam o fenótipo Splash Trigo — corpo cremoso com penas que seriam azuis apresentando manchas/respingos azul-pálido sobre fundo branco. Os cruzamentos possíveis e seus resultados teóricos são:
Splash Trigo × Trigo → 100% Azul Trigo
Azul Trigo × Trigo → 50% Azul Trigo · 50% Trigo
Azul Trigo × Splash Trigo → 50% Azul Trigo · 50% Splash Trigo
O cruzamento de Splash Trigo com Trigo para obter 100% de Azul Trigo é especialmente valioso quando se possui um Splash de conformação excepcional. Por outro lado, cruzar Azul Trigo com Trigo produz progênie mista nas duas variedades, o que é uma estratégia legítima para manter e melhorar o tipo ao longo das gerações — especialmente porque as duas variedades compartilham os mesmos desafios de coloração e se beneficiam reciprocamente da seleção cruzada.
Desafios de Criação
A seleção para o Azul Trigo gira em torno de três frentes principais, identificadas por décadas de experiência no Ameraucana Handbook:
1. Pescoço limpo em ambos os sexos. A tendência ao aparecimento de listras ou manchas azuis e pretas no hackle de machos e fêmeas é o problema mais persistente da variedade — e da variedade Trigo também. Selecionar contra esse defeito em cada geração é indispensável.
2. Peito com bordas corretas nos galos. O azul no peito do galo deve apresentar bordas escuras definidas. A feomelanina (laranja/ferrugem) que aparece no peito — porque o gene Bl não a suprime tão eficientemente quanto o preto faria no Trigo — é um defeito a eliminar por seleção criteriosa.
3. Cor cremosa e equilíbrio de cauda nas galinhas. O trigo cremoso claro é desejável no corpo, mas aves mais claras tendem a apresentar menos pigmento eumelanina na cauda. Encontrar galinhas com corpo creme e cauda bem pigmentada (cada pena contornada com trigo) é o ponto de equilíbrio mais difícil — e mais recompensador — da variedade.
Criadores experientes recomendam não selecionar os machos exclusivamente pelo peito e as fêmeas exclusivamente pela cor do dorso: a plumagem de um sexo influencia a do outro na progênie, e um equilíbrio entre os dois deve ser mantido em qualquer plantel de reprodução.
Protegido por direitos autorais. Texto baseado no Ameraucana Handbook 2005 (Ameraucana Alliance) e em conhecimento genético estabelecido. Vedada a reprodução sem autorização. © Ameraucana Brasil Poultry.